Declaração de Fé

APRESENTAÇÃO DA NOSSA DECLARAÇÃO DE FÉ
É com imensa satisfação que apresentamos à Assembleia de Deus no Brasil a nossa DECLARAÇÃO
DE FÉ.
A análise feita pela liderança da Assembleia de Deus no Brasil, em consonância com a COMISSÃO
de TEÓLOGOS indicados para a apreciação do nosso CREMOS, entendeu pela imperiosa
necessidade de complementar e aperfeiçoar o CREMOS.
Durante todo um ano, a COMISSÃO apreciou, rebuscou em outros credos análogos, no afã de
presentear-nos um trabalho com a grandeza que este é apresentado; sem oferecer nenhuma
oportunidade para vicissitudes.
O grande valor desta DECLARAÇÃO DE FÉ está em sua íntima e inseparável comunhão com as
doutrinas bíblicas.
O conjunto harmônico e bíblico desta DECLARAÇÃO DE FÉ caracteriza-se por sua similitude no
rigor da observação doutrinaria estabelecida pela vivacidade da PALAVRA DE DEUS.
A sua publicação é o instrumento maior para conscientizar toda a Igreja Assembleia de Deus no
Brasil.
Mesmo em forma sintética, abrange todas as principais doutrinas bíblicas, facilitando o conhecimento
e conservando nossa mente contra as muitas heresias.
“A Bíblia revela a verdade em forma popular de vida e fato; o Credo declara uma forma lógica de
doutrina”.
Após um intensivo trabalho de oração, e apreciações lampejantes, e muitas pesquisas, nossa
competente Comissão coloca em nossas mãos este sumário de doutrinas bíblicas.
Nossa DECLARAÇÃO DE FÉ facilita aos nossos irmãos um melhor conhecimento bíblico e ajudanos na preparação da fé de novos membros da Igreja.
Temos em mãos um trabalho onde é somada a GRAÇA com atavios do aticismo, mesmo usando
linguagem correta, fluente e compreensível.
Nossa mais expressiva gratidão aos ilustres irmãos teólogos componentes desta douta COMISSÃO,
pelo trabalho concluído.
A ASSEMBLEIA DE DEUS NO BRASIL TEM UMA COMPLETA DECLARAÇÃO DE FÉ.

Pr. José Wellington Bezerra da Costa
Presidente de honra da CGADB

INTRODUÇÃO
Credo, confissão de fé, regra de fé ou declaração de fé são interpretações autorizadas das Escrituras
Sagradas aceitas e reconhecidas por uma igreja ou denominação. Todas as igrejas ou denominações
no mundo possuem algum tipo de conjunto de crenças, seja ele escrito ou não, não importando o
nome dado aos ensinos que norteiam a vida da instituição cristã. A Bíblia é a Palavra de Deus e a
única autoridade inerrante para a nossa vida. Não é um credo, mas, sim, sua fonte primária. Na
explicação de Philip Schaff, “A Bíblia é a Palavra de Deus ao homem; o Credo é a resposta do homem
a Deus. A Bíblia revela a verdade em forma popular de vida e fato; o Credo declara a verdade em
forma lógica de doutrina. A Bíblia é para ser crida e obedecida; o Credo é para ser professado e
ensinado”. Em outras palavras, a Bíblia precisa ser interpretada e compreendida para uma adoração
consciente a Deus.
A Igreja não dispunha de credos ou de qualquer formulação doutrinária formalizada no período
apostólico. Era um tempo em que a produção dos livros do Novo Testamento ainda estava em
andamento. Logo no século II, surgiu a necessidade de se organizar os pontos mais significativos da
fé cristã, pois, desde muito cedo na história do cristianismo, surgiram controvérsias e heresias que
questionavam o verdadeiro ensino cristão. Diante disso, era chegada a hora de “responder com
mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós” (1 Pe 3.15). Assim,
começaram a aparecer as primeiras regras de fé sintetizando a doutrina cristã. Esses documentos
tinham por objetivo sintetizar as doutrinas essenciais do cristianismo para facilitar as confissões
públicas e conservar o pensamento cristão contra as heresias. Essas formulações foram sendo
aperfeiçoadas e tornaram-se conhecidas como credos ou símbolos. O termo “credo” vem do latim
credo e significa “creio, deposito confiança”. Trata-se de uma confissão de gratidão à glória de Deus.
Símbolo, do grego symbolon, significa literalmente “arremessar junto, comparar”, sendo, porém,
usado em referência a qualquer declaração formal, seja esta credo, confissão de fé ou catecismo.
Os credos considerados universais são conhecidos como “credos ecumênicos”, visto que a sua
aceitação é ampla e não se restringe a uma ou outra região. Os principais são o Credo dos Apóstolos,
século II; o Credo Niceno (325 d.C.); o Credo Niceno-Constantinopolitano (381 d.C); o Credo de
Calcedônia (451 d.C); e o Credo de Atanásio (cerca do ano 500). Seu conteúdo consta aqui neste
Apêndice, demonstrando que temos muitos pontos em comum com os primeiros cristãos. Esses
credos são geralmente aceitos por católicos romanos, ortodoxos gregos e protestantes, pois seu
conteúdo é comum às principais religiões que ostentam a bandeira de Cristo. As seitas ou grupos
religiosos heterodoxos rejeitam esses credos.
A confissão de fé é mais elaborada do que os credos ecumênicos, que são uma fórmula de fé pessoal
e começam com “creio” ou “cremos”. O termo “confissão” era usado no princípio para descrever o
testemunho dos mártires, a começar pelo próprio Senhor Jesus Cristo: “[…] e de Cristo Jesus, que
diante de Pôncio Pilatos deu o testemunho de boa confissão” (1 Tm 6.13). É, porém, comumente
usado nas declarações formais da fé cristã pelos reformadores. As confissões de fé são marcas do
período da Reforma, e as principais são as seguintes: Confissão de Augsburgo, de Lutero (1483–
1546), elaborada por Filipe Melâncton (1497–1560) em 1530; as Confissões Helvéticas, a primeira
em 1534, e a segunda em 1566, esta última preparada por Heinrich Bullinger (1504–1575), sucessor
de Ulrico Zuínglio (1484–1531); a Confissão de Fé Gaulesa, preparada em 1559 por João Calvino
(1509–1564); a Confissão de Fé Escocesa, de 1560, preparada por uma comissão liderada por John
Knox (1513–72); a Confissão Belga, de 1561, preparada por Guido de Brès ou Guy de Bray (1522–
67); o Catecismo de Heidelberg, escrito por Zacarias Ursino (1534–1583) e Gaspar Oleviano em
1567; os Trinta e Nove Artigos de Religião preparados originalmente em 1552, em Londres, por
Tomás Cranmer (1489–1556), com 42 artigos, os quais sofreram minuciosa revisão em 1563 por
Matthew Parker (1504–1575), arcebispo da Cantuária, com o corte de três artigos — é a confissão de
fé da Igreja Anglicana. O arminianismo holandês no ano de 1610 articulou uma breve declaração
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teológica em cinco pontos, assinada por 44 ministros e apresentada ao Estado Holandês, chamada
Remonstrância (termo que se origina de “remonstrare”, do latim medieval, cujo significado é
“protestar, expor, manifestar”). Em 1618, houve uma ampliação na explicação desses cinco pontos,
que foi denominada “Opiniões dos Remonstrantes”. Posteriormente, Simão Episcópio (1583–1643)
escreveu “A Confissão Arminiana” de 1621, ratificando as crenças arminianas. E por fim, temos a
Confissão de Fé de Westminster, que foi produzida na Abadia de Westminster em Londres, a pedido
do Parlamento Britânico, entre 1643 e 1647; trata-se da última confissão de fé da Reforma.
A obra Declaração de Fé é um documento eclesiástico que organiza, de forma escrita e sistemática,
as crenças e práticas das Assembleias de Deus no Brasil que já são ensinadas nas igrejas desde a
chegada ao país dos missionários fundadores, Daniel Berg (1884–1963) e Gunnar Vingren (1879–
1933). O contexto social e político por si só exige uma definição daquilo em que a Igreja crê e daquilo
que professa desde as suas origens. A Bíblia é a nossa única fonte de autoridade, a inerrante, infalível,
completa e inspirada Palavra de Deus. As Escrituras Sagradas, no entanto, precisam ser interpretadas
para que todos conheçam a sua mensagem. Assim sendo, o conteúdo dos 24 capítulos da Declaração
de Fé são as interpretações autorizadas das Escrituras e os ensinos oficiais das Assembleias de Deus
no Brasil.
Isael de Araújo, historiador da Assembleia de Deus, num resumo histórico sobre o “Cremos”, trouxenos informações sobre a preocupação dos nossos primeiros missionários em expressar aquilo em que
cremos e aquilo que praticamos. Gunnar Vingren publicou em 16 de abril de 1919, no jornal Boa
Semente, um artigo intitulado “O que nós cremos”, com as linhas mestras de nossas crenças. Essa
matéria foi reeditada no jornal O Som Alegre em março de 1930. Nesse mesmo ano, na primeira
Assembleia Geral da CGADB, os dois jornais fundiram-se num só, recebendo o nome de Mensageiro
da Paz, desde então publicado ininterruptamente como órgão oficial das Assembleias de Deus no
Brasil. O missionário sueco Otton Nelson (1881–1982) publicou em janeiro de 1931, no Mensageiro
da Paz, um artigo intitulado “O que ensinamos”. Em outubro de 1938, o missionário americano
Theodoro Richard Stohr, que servia no interior de São Paulo, publicou, no mesmo periódico, um
“Cremos” intitulado “Em que creem os pentecostais”. Nas décadas de 1960 e 1970, ainda que o tema
não tenha sido item oficial dos temários, as reuniões convencionais debateram se as Assembleias de
Deus deveriam ter um Credo. Os contrários diziam que isso era coisa de católicos e de protestantes
tradicionais, uma vez que a Bíblia é o nosso Credo. Outros defendiam a elaboração de um documento
dessa natureza. “O Cremos que temos hoje”, diz Isael de Araujo, “passou a ser publicado no
Mensageiro da Paz a partir de junho de 1969. Desde então, esse documento tem sido submetido a
revisões”.
O nosso “Cremos”, publicado em cada edição do jornal Mensageiro da Paz, tem sido o único
documento oficial da Igreja que expressa nosso pensamento doutrinário. Agora, o referido texto passa
a ser o extrato da Declaração de Fé como verdades centrais de nossa denominação. Os dezesseis
artigos de fé do “Cremos” são explicados aqui na Declaração de Fé na mesma sequência de assuntos,
sendo às vezes intercalados com alguns capítulos que tratam de temas ensinados pela Igreja, porém
ausentes no “Cremos”.
A CGADB, sob a presidência do Pr. José Wellington Bezerra da Costa, nomeou uma Comissão
Especial para elaborar nosso credo ou confissão de fé, aqui denominado Declaração de Fé. Trata-se
de uma comissão composta por teólogos e ensinadores de nossa denominação com conhecimento não
somente das Escrituras, mas também de nossa história e doutrina. A CPAD, por meio do seu diretorexecutivo, Ronaldo Rodrigues de Souza, deu incentivo e suporte para a produção do documento que
o leitor tem em mãos.
A Comissão Especial pesquisou os credos ecumênicos e as principais confissões de fé históricas
durante mais de um ano inteiro, examinando seu conteúdo, forma e apresentação. O trabalho
desenvolvido será de importância na vida da Igreja como sumário doutrinário da Bíblia e ajuda para
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sua compreensão. A Declaração de Fé servirá como proteção contra as falsas doutrinas e contribuirá
para a unidade do pensamento teológico para “que digais todos uma mesma coisa” (1 Co 1.10). Tratase ainda de um material didático para ajudar as igrejas no preparo dos candidatos ao batismo e também
na formação espiritual dos novos convertidos, bem como mostrar para a sociedade aquilo em que nós
cremos e aquilo que praticamos. O documento identifica nossa marca pentecostal como denominação,
mas o objetivo primordial é a glória de Deus.

Rio de janeiro, 22 de novembro de 2016
Esequias Soares da Silva
Presidente da Comissão Especial

CREMOS

1. Na inspiração divina verbal e plenária da Bíblia Sagrada, única regra infalível de fé e prática para
a vida e o caráter cristão (2 Tm 3.14-17);
2. Em um só Deus, eternamente subsistente em três pessoas distintas que, embora distintas, são iguais
em poder, glória e majestade: o Pai, o Filho e o Espírito Santo; Criador do Universo, de todas as
coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, e, de maneira especial, os seres humanos, por
um ato sobrenatural e imediato, e não por um processo evolutivo (Dt 6.4; Mt 28.19; Mc 12.29; Gn
1.1; 2.7; Hb 11.3 e Ap 4.11);
3. No Senhor Jesus Cristo, o Filho Unigênito de Deus, plenamente Deus, plenamente Homem, na
concepção e no seu nascimento virginal, em sua morte vicária e expiatória, em sua ressurreição
corporal dentre os mortos e em sua ascensão vitoriosa aos céus como Salvador do mundo (Jo 3.16-
18; Rm 1.3,4; Is 7.14; Mt 1.23; Hb 10.12; Rm 8.34 e At 1.9);
4. No Espírito Santo, a terceira pessoa da Santíssima Trindade, consubstancial com o Pai e o Filho,
Senhor e Vivificador; que convence o mundo do pecado, da justiça e do juízo; que regenera o pecador;
que falou por meio dos profetas e continua guiando o seu povo (2 Co 13.13; 2 Co 3.6,17; Rm 8.2; Jo
16.11; Tt 3.5; 2 Pe 1.21 e Jo 16.13);
5. Na pecaminosidade do homem, que o destituiu da glória de Deus e que somente o arrependimento
e a fé na obra expiatória e redentora de Jesus Cristo podem restaurá-lo a Deus (Rm 3.23; At 3.19);
6. Na necessidade absoluta do novo nascimento pela graça de Deus mediante a fé em Jesus Cristo e
pelo poder atuante do Espírito Santo e da Palavra de Deus para tornar o homem aceito no Reino dos
Céus (Jo 3.3-8, Ef 2.8,9);
7. No perdão dos pecados, na salvação plena e na justificação pela fé no sacrifício efetuado por Jesus
Cristo em nosso favor (At 10.43; Rm 10.13; 3.24-26; Hb 7.25; 5.9);
8. Na Igreja, que é o corpo de Cristo, coluna e firmeza da verdade, una, santa e universal assembleia
dos fiéis remidos de todas as eras e todos os lugares, chamados do mundo pelo Espírito Santo para
seguir a Cristo e adorar a Deus (1 Co 12.27; Jo 4.23; 1 Tm 3.15; Hb 12.23; Ap 22.17);
9. No batismo bíblico efetuado por imersão em águas, uma só vez, em nome do Pai, e do Filho, e do
Espírito Santo, conforme determinou o Senhor Jesus Cristo (Mt 28.19; Rm 6.1-6; Cl 2.12);
10. Na necessidade e na possibilidade de termos vida santa e irrepreensível por obra do Espírito Santo,
que nos capacita a viver como fiéis testemunhas de Jesus Cristo (Hb 9.14; 1 Pe 1.15);
11. No batismo no Espírito Santo, conforme as Escrituras, que nos é dado por Jesus Cristo,
demonstrado pela evidência física do falar em outras línguas, conforme a sua vontade (At 1.5; 2.4;
10.44-46; 19.1-7);
12. Na atualidade dos dons espirituais distribuídos pelo Espírito Santo à Igreja para sua edificação,
conforme sua soberana vontade para o que for útil (1 Co 12.1-12);
13. Na segunda vinda de Cristo, em duas fases distintas: a primeira — invisível ao mundo, para
arrebatar a sua Igreja antes da Grande Tribulação; a segunda — visível e corporal, com a sua Igreja
glorificada, para reinar sobre o mundo durante mil anos (1 Ts 4.16, 17; 1 Co 15.51-54; Ap 20.4; Zc
14.5; Jd 1.14);
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14. No comparecimento ante o Tribunal de Cristo de todos os cristãos arrebatados, para receberem a
recompensa pelos seus feitos em favor da causa de Cristo na Terra (2 Co 5.10);
15. No Juízo Final, onde comparecerão todos os ímpios: desde a Criação até o fim do Milênio; os que
morrerem durante o período milenial e os que, ao final desta época, estiverem vivos. E na eternidade
de tristeza e tormento para os infiéis e vida eterna de gozo e felicidade para os fiéis de todos os tempos
(Mt 25.46; Is 65.20; Ap 20.11-15; 21.1-4).
16. Cremos, também, que o casamento foi instituído por Deus e ratificado por nosso Senhor Jesus
Cristo como união entre um homem e uma mulher, nascidos macho e fêmea, respectivamente, em
conformidade com o definido pelo sexo de criação geneticamente determinado (Gn 2.18; Jo 2.1,2;
Gn 2.24; 1.27).